quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O HOME RUN DOS MEUS SONHOS

*No beisebol, home run (denotado HR) é uma rebatida na qual o rebatedor é capaz de circular todas as bases, terminando na casa base e anotando uma corrida (junto com uma corrida anotada por cada corredor que já estava em base), com nenhum erro cometido pelo time defensivo na jogada que resultou no batedor-corredor avançando bases extras. O feito é geralmente conseguido rebatendo a bola sobre a cerca do campo externo entre os postes de falta (ou fazendo contato com um deles), sem que ela antes toque o chão. Ou seja, tudo começa com uma rebatida muito forte.


Tive um dia estressante.

Minha ida ao fórum foi completamente inútil, não consegui fazer absolutamente nada do que havia planejado. Havia poucos funcionários trabalhando e acho que eles estavam de mau humor por serem os únicos que estavam no serviço (apesar de, efetivamente, não estarem trabalhando).

Diante disso, cheguei em casa irritado. Minha namorada telefonou e acabou pagando o pato. Terminamos brigando e com isso eu fiquei ainda mais irritado.

Jantei cedo e resolvi ir dormir.

Amanhã há de ser um dia melhor.

...

Acordei bem disposto.

Após o banho e o café, resolvi que iria direto ao Fórum. Eu tinha que conseguir realizar as minhas diligências e decidi que daquele dia não passaria.

Em janeiro o movimento no Fórum está pequeno. Não enfrentei engarrafamento nem tive dificuldade de achar vaga para estacionar o carro. Fui à sala da OAB onde imprimi os andamentos processuais.

Primeira missão: Diligenciar a apreciação do pedido liminar de uma demanda. O processo consta como “autuado” apenas.

Cheguei à Vara e não havia pessoa alguma no balcão salvo uma jovem que estava numerando processos.

“Tem alguém atendendo no balcão?” Perguntei.

“Eu não trabalho aqui, não!” Respondeu (para minha surpresa) “É que o processo tava parado e lá no estágio tão agoniados com ele, então eu mesma vim numerar”.

Fiquei sem palavras.

“Você estuda onde?” Perguntou a estagiária devido à minha aparência jovial.

“Na verdade já sou formado.”

A conversa foi interrompida por uma serventuária obesa que veio verificar o trabalho da garota.

“Você sabe que a cada 200 páginas tem que fazer o termo de encerramento de volume, né?”

Santa cara de pau!

“Minha senhora,” interrompi “Eu preciso dar uma olhada nesse processo” disse entregando o andamento.

A mulher olhou o papel, olhou para sua mesa, retornou o olhar para mim e falou:

“Esse processo ainda não está autuado”

“Mas o andamento consta como autuado”.

“É, consta porque já o recebemos, mas não foi efetivamente autuado”.

Começo a me impacientar.

“Certo, minha senhora, mas se não foi efetivamente autuado, não deveria estar no sistema como se tivesse sido. Além disso, há um pedido liminar que precisa ser apreciado”.

“Mas o juiz nem está aqui!”

“Não tem problema, eu levo pro substituto.”

“Doutor, tem muitos processos aqui, e tem muita coisa pra fazer, não vou autuar o seu agora.”

“E não vai por que motivo?”

“Porque não vou.”

Respirei fundo, mas não consegui me controlar. Foi a gota d’água. A mulher pareceu achar graça do meu semblante que àquela altura certamente era de fúria total.

“O que vai fazer, doutor?”

Permaneci calado.

A garota que enumerava o processo parecia assustada ao ver aquele objeto azul metálico em minha mão direita.

A serventuária me encarou e desafiou:

“Você vai esperar... Como todo mundo... Cara feia pra mim é fome.”

Grave erro...

Calado, ergui o taco de beisebol e golpeei com toda força na cabeça da criatura. Foi uma cena à la Tarantino. Vi como em câmera lenta: Atingi a parte superior esquerda do crânio que foi jogado para a direita. Lentamente a parte inferior da cabeça a acompanhou fazendo uma careta horrorosa. O sangue caiu sobre o processo da garota - me senti culpado por estragar o seu cuidadoso trabalho.

A balofa caída ainda estava consciente.

O baque mudo do taco metálico no seu crânio aliado ao grito da estagiária chamou a atenção de outros servidores que vieram ver o que se passava.

Aquela situação era surreal, eu admito, mas eu permanecia estranhamente calmo e os gritos no recinto pareciam meros ruídos de fundo de alguma música estranha.

Agachei-me sobre a criatura - que tentava balbuciar alguma palavra - e disse:

“Viu, cachorra?! Isso é pra você aprender a respeitar as pessoas”.

Minha lição de moral foi interrompida por um PM que adentrou no cartório e, ao me ver agachado com um taco de beisebol sobre o corpo da baleia agonizante, não pestanejou:

...

PÁ PÁ PÁ PÁ

Meu despertador tocou. Acordei assustado. Verifiquei meu corpo procurando vestígios das balas do PM, mas felizmente foi só um pesadelo.

Ou teria sido um sonho?

Nota mental: Voltar ao psicólogo.

4 comentários:

  1. Acho bom mesmo! hauhaua!!! Esses "sonhos" (pq não chamá-los de desejos), tão reais, são muito perigosos! Já assistiu Um dia de fúria? Vai que vc dá a louca um dia desses? huahuahuau! Não quero que vc vá preso! hauauaua!
    Eu sei, eu sei, é só um personagem fictício! :P
    hehehehe!

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  2. Hahaha! Massa!! Ir com o taco de beisebol pro forum pode ser uma boa! Se a moda pegar não vai sobrar um servidor naquela birosca!!

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  3. Hahahaah, bem criativo o título! Gostei.

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  4. Sou mto a favor de tacos de beisebol e psicopatas no fórum! Mesmo! hauhahaauhauhahuauhauhuh!

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