quarta-feira, 3 de março de 2010

PROGRAMA DE ÍNDIO 2 - O RETORNO

Passados pouco mais de 15 dias do primeiro programa de índio, o inevitável veio me atormentar. A passagem já estava comprada e o “e-ticket” já estava no meu e-mail. Eu teria, realmente, que voltar ao interior de Alagoas para contestar uma petição inicial inepta.

Pensei em levar meu taco de beisebol, mas constatei que teria que despachá-lo e isso me faria perder tempo no aeroporto de Alagoas. Decidi, então, ir desarmado. Pelo menos materialmente.

A viagem foi sossegada, tanto a parte aérea quanto a rodoviária. Tanto eu quanto o preposto já conhecíamos a estrada e a cidade, então, economizamos tempo.

Por incrível que pareça, resolvemos ficar no mesmo hotel em que nos hospedamos da primeira vez, isso porque passamos na frente do outro hotel da cidade e ele realmente nos pareceu, digamos, com menos recursos.

Na hora de jantar, por motivos óbvios, pensamos numa opção diferente do restaurante do hotel. Pedimos indicações e todos sugeriram um mesmo Restaurante. Rodamos durante vários minutos na minúscula cidade e não achávamos o malfadado lugar. Descobrimos, pouco depois, que já havíamos passado duas vezes pela porta do Restaurante, mas ele estava fechado! Eram 20h30...

Acabamos achando uma lanchonete na qual pedimos uma pizza que demorou uma hora exata para nos ser servida. Achei a primeira fatia saborosíssima, mas ao comer a segunda percebi que a fome tinha praticamente anulado meu paladar.

De volta ao hotel, recolhi-me no meu quarto e vi TV até pegar no sono que, felizmente, não foi interrompido por falta de energia.

No dia seguinte comi um pão com manteiga no café da manhã (a lembrança da última refeição no restaurante do hotel ainda me assombrava).

Chegamos ao Fórum, eu e o preposto, e fui me cadastrar no Projudi do Estado de Alagoas. O serventuário responsável pelo cadastramento de advogados estava ainda de férias, contudo estava de passagem no cartório para resolver alguma questão pessoal.

Após eu lhe explicar que tinha vindo de Salvador para acompanhar este processo e dizer que não consegui me cadastrar na semana retrasada, pois ninguém se disponibilizou a realizar o procedimento, o sujeito demonstrou bastante boa vontade e pediu meus documentos para fazer o cadastro!

Surpreendente!

Aproveitei que estava cadastrado, saquei a pen-drive que minha namorada me emprestou (não sei onde deixei a minha) e comecei a juntar a contestação e outros documentos.

O Projudi de Alagoas tem uma grande restrição ao tamanho de arquivos a serem juntados virtualmente. Eles não podem ter mais de 1MB. Isso fez com que eu tivesse que “quebrar” os documentos em várias partes, o que culminou em mais de 40 arquivos a serem juntados.

Não tive tempo de juntar mais que três documentos e fomos convocados à sala de audiência. Cumprimentei o advogado e o juiz, bem como a parte e pedi que fossem juntados os documentos faltantes. O juiz passou a pen-drive para a digitadora que teve muitas dificuldades em realizar o procedimento.

O juiz, então, pediu que eu voltasse ao cartório e solicitasse ao servidor de férias que realizasse a juntada. Assim o fiz, e surpreendentemente, mais uma vez, o sujeito iniciou o trabalho sem reclamar!

Quando regressei à sala de audiência percebi que o juiz já conversava com a autora, seu advogado e o preposto, o que me irritou. Mas logo percebi que o preposto, com quem eu tinha conversado bastante sobre o caso, estava praticamente dando uma aula à autora e ao advogado. Tranqüilizei-me.

Intervim discretamente na discussão e consegui fazer com que o juiz fizesse à autora a pergunta chave do processo:

“E por que, afinal, vocês colocaram essa empresa no pólo passivo da ação?”

Antes mesmo de a autora dizer qualquer coisa, não pude conter o comentário:

“Pois, é, Excelência...”

O advogado da parte adversa talvez não tenha se preparado adequadamente para a audiência, ou talvez por ver minha cara de menino na audiência de conciliação tenha me subestimado. Fosse pelo que fosse, o fato é que, além da reação do juiz, ele não esperava pela minha contestação com três preliminares e pedido contraposto.

Tentou pedir prazo ao juiz para se manifestar, o que foi rejeitado. Então, oralmente fez uma argumentação fraquíssima contra minhas preliminares. Nem se manifestou sobre o pedido contraposto.

A essa altura, o preposto me perguntava em voz baixa como estava o processo. Repeti a ele o que já vinha me dizendo:

“Tá no papo!”.

Entretanto, antes de finalizar a audiência, o advogado da outra parte precisava ter vistas aos documentos que eu juntaria. Ocorreu que o serventuário ainda não estava nem na metade do envio dos arquivos e a pauta de audiências já estava atrasada.

O juiz queria que tudo terminasse ali, pela celeridade que deve haver nos Juizados. Contudo, como não me opus, foi concedido prazo de 5 dias para que o advogado se manifestasse sobre os documentos juntados, mesmo porque eram muitos.

Finda a audiência, fui falar com o serventuário que estava fazendo a juntada dos documentos e tomei o seu lugar, dispondo-me a juntar os 28 arquivos que faltavam.

O calor no interior de Alagoas estava nos castigando. O preposto avisou que me esperaria no carro. Com o ar-condicionado ligado.

Sabido.

Meia hora depois terminei de “upar” o último arquivo e levantei imediatamente, agradecendo a todos por serem tão prestativos, ressaltando que isso não é algo comum para um advogado encontrar.

Encontrei o preposto e pegamos a estrada. Eram cerca de 180km para Maceió. Chegaríamos por volta do meio-dia. Teríamos uma certa folga para almoçar e ir ao aeroporto já que o vôo era às 15h.

Tudo foi incrivelmente bem. Nem poderia chamar a viagem de “programa de índio”.

Quando faltavam 30km para chegarmos a Maceió, dei por falta da pen-drive de minha namorada. Verifiquei todos os bolsos da calça, da camisa, busquei o paletó que tinha jogado no banco de trás e enfiei a mão vorazmente em todos os bolsos. Não estava lá.

Deixei o pen-drive no Juizado!

Tava tudo muito bom pra ser verdade!

Liguei para o cartório e um funcionário me confirmou que o pen-drive estava lá. Perguntei sobre a possibilidade dela ser enviada por sedex, comigo, obviamente, arcando com os valores que seriam gastos. O sujeito prontificou-se a ir ao correio na mesma tarde.

Liguei pra minha namorada para avisar do ocorrido e ela, compreensivelmente, não reagiu muito bem. Queria que eu voltasse à cidade para pegar a pen-drive. Eu já estava nervoso e acabamos discutindo.

Eu já havia ligado para o escritório e passado os dados da conta bancária do sujeito. Tudo se resolveria. O problema foi que uma frase de minha namorada ficou martelando na minha cabeça:

“E se o cara não mandar?”

É óbvio que ele vai mandar. Não tem porquê não fazer isso! ... Não é? O pessoal lá é tão prestativo...

Refleti e concluí que o pensamento era bobagem de minha namorada que estava chateada por eu ter esquecido sua pen-drive.

Mas admito que temi profundamente a possibilidade do sujeito não enviar a pen-drive e, com isso, haver PROGRAMA DE ÍNDIO 3 – A VINGANÇA!

E, nessa indesejada terceira viagem, eu certamente faria questão de despachar o taco de beisebol.

3 comentários:

  1. E nessa hipótese eu darei o maior apoio ao despacho do taco de beisebol!!! huahuahua!

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  2. Gente, 1 pen drive nem é tão caro assim! Q drama! hauhauuauauhuhauhhua! O taco de beisebol é válido pra várias outras situações, mas pra essa acho exagero! xD

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  3. Não era pelo pen-drive, era pelo conteúdo!

    Mas ele chegou!! Ainda bem!

    Nunca gostei desses filmes de sequência, a tendência é sempre piorar! =P

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