sábado, 15 de maio de 2010

O FUTURO RECOMEÇA

Algumas das minhas válvulas de escape são o cinema e a música. Adoro assistir filmes e seriados desde pequeno. Minha paixão pela música também é antiga. Adoro quase todos os estilos musicais.

A depender do meu humor os gêneros musicais e cinematográficos preferidos variam. Nesses tempos de reflexão e dissabor Legião Urbana tem caído bem. Vide “Mais do Mesmo”.

Revendo outra música que me agrada, acabei me lembrando dos acontecimentos recentes da justiça baiana, o que me levou a uma longa reflexão.

Não que a letra da canção remeta diretamente aos fatos ocorridos, mas o título, por si, já me pareceu representar uma verdadeira ironia.

Diante de tantos personagens corruptos e inescrupulosos caracterizados ao longo desse ano de relatos, não me parece incoerente que eu os qualifique como vampiros. E, apesar de todas as pessoas terem seu direito de protesto e de lutar pelos seus direitos, a ironia de ver aqueles que não trabalham não trabalharem como forma de protesto chega a ser engraçada.

Daí o Teatro dos Vampiros.

Enquanto escrevia, constatei o quanto reconfortante é falar sobre as coisas que me incomodam e receber alguma atenção nesses desabafos. É como uma sessão de terapia em grupo, sem terapeuta. E eu, que sempre gosto de estar no controle da situação, adoro ter o poder de falar o que quero, quando quero, e ainda ser elogiado por isso.

Além disso, depois, acho até graça das coisas que escrevo.

Rir para não chorar. Comportamento que temos que adotar para levar a vida por aqui.

E nesse compasso vou falando, ouvindo e refletindo. Posso ainda não ter chegado a uma grande conclusão, mas, sem dúvidas, vou, como diz outra música, vivendo e aprendendo a jogar.

Sempre precisei de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto.

E se há algo que sei, é do que não gosto. E se há algo que preciso, por mais que queira negar, é de atenção. E quem não precisa?

Aliás, quem precisa de mais atenção que eu é o Judiciário. Eu diria que o Judiciário precisa muito de nossa atenção, não sabe quem é, e não gosta do seu estado atual. Pelo menos é o que percebo dos servidores sérios, competentes e honestos, que, verdade seja dita, não são poucos.

Mas, como bons brasileiros, sempre focamos no lado negativo das coisas.

Não vejo isso como um pessimismo exacerbado. Prefiro crer que é uma forte ânsia pela perfeição. Essa, aliás, é outra bela música da Legião que me anima um pouco nas horas de mais raiva.

Voltando-me ao Teatro dos Vampiros, apesar de – repito – entender a greve e concordar com o direito de cada categoria de lutar por seus direitos, não posso afastar da mente outro trecho dessa música...

Esse é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante.

(...)

Percebi que o destempero originado pela minha impetuosidade e - porque não – inexperiência que me faz questionar minhas escolhas encontra reflexo na seqüência da letra...

E a primeira vez é sempre a última chance. Ninguém vê onde chegamos. Os assassinos estão livres. Nós não estamos.

Não é minha última chance. Mas, na minha salutar arrogância, não gosto de ter que muitas chances. O ideal é acertar de primeira. Alguém vai dizer que não prefere assim?

Quero sucesso profissional na minha escolha inicial. Quero ser advogado e triunfar sobre oponentes, tribunais, vampiros e quem mais aparecer pelo caminho.

Escolhi advogar. Critico os meus obstáculos, mas devo estar apto a superá-los, caso contrário qual seria o sentido de continuar?

Reclamar, reclamar, reclamar... Apenas reclamar é coisa de frustrado. Eu não sou frustrado. Talvez esteja insatisfeito, pois, verdade seja dita, ao longo de minha vida não tive muitas dificuldades em chegar onde cheguei.

Nessas horas lembro-me de Raul Seixas, que cursou a mesma faculdade que eu, diga-se.

“Foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto, e daí?” Ele questiona em Ouro de Tolo. Antes mesmo de me dar tempo para pensar ele me diz “Eu tenho uma porção de coisas grandes para conquistar e não posso ficar aí parado”.

Bem... As maiores conquistas que alguém pode ter, não são fáceis. Até a valorização que damos às nossas vitórias é maior se elas foram mais duras, suadas.

Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar. Essa é a graça da vida. Superar desafios. Saber disso é meio caminho andado.

E é isso que tem me alimentado nessas últimas semanas.

Inspiração musical para lembrar-me das minhas virtudes. Precisarei delas para ter êxito. Não desisto. Por mais pedras no caminho e por mais falhas dos outros e até minhas, continuo na luta. Keep walking.

Essa é a minha riqueza.

Não sou perfeito, eu não esqueço. A riqueza que nós temos ninguém consegue perceber...

Não preciso que seja percebida ou reconhecida. Basta que eu saiba. Pra mim funciona assim. Vou “vivendo e aprendendo a jogar. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas, aprendendo a jogar”.

E se por algum acaso o baixo astral voltar, é só lembrar do que miramos: a perfeição.

Venha meu coração está com pressa, quando a esperança está dispersa, só a verdade me liberta... Chega de maldade e ilusão. Venha, o amor tem sempre a porta aberta e vem chegando a primavera... Nosso futuro recomeça: venha, que o que vem é perfeição.

3 comentários:

  1. LINDO TEXTO, como sempre!!!
    parabéns! Adorei as cnexões musicais!

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  2. Pedro, tô adorando ler seu blog, principalmente porque me identifico bastante com ele, já que também sou uma jovem advogada e "verdade seja dita, ao longo de minha vida não tive muitas dificuldades em chegar onde cheguei". Fico insegura com a escolha que estou fazendo para a minha carreira profissional. Como saber se estamos no caminho certo? Reclamo, reclamo e reclamo e às vezes me falta iniciativa de continuar seguindo reto porque não sei onde essa estrada vai dar... Eu quero sucesso profissional, mas "meu coração está com pressa"
    :(
    Elaine Lago

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  3. Elaine,

    E nessa fase de nossa vida nós podemos ter certeza de onde alguma estrada vai dar?

    Certeza dificilmente teremos. O jeito é fazer nosso melhor e o que gostamos. Dúvidas vão sempre existir, mas só ficar parado por receio não fará com que elas sumam. Temos que arriscar alguma opção, aparentemente escolhemos, inicialmente a mesma. Pode dar errado, mas espero que dê certo!

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