quarta-feira, 7 de julho de 2010

A HISTÓRIA SEM FIM

Nas poucas semanas que passamos sem histórias no blog, muitas coisas mudaram na vida deste jovem advogado que vos escreve.

Diante de tantas dúvidas, insatisfações, anseios e esperanças, a única certeza que eu tinha é que precisava de uma mudança.

O novo sempre é desafiador e o desafio me motiva.

Enquanto pensava no que faria, percebi o quão grande e o quão pequeno é papel do advogado na vida do seu cliente. Ao mesmo tempo em que podemos fazer com que ele alcance uma vitória importantíssima em sua vida, também podemos ser apenas mais uma peça que contribuiu para o êxito, sem receber reconhecimento e, às vezes, sem sequer ter ciência de que o êxito foi alcançado.

Concluí isso porque, entre as alternativas que estudava para meu futuro, uma delas era a saída do escritório onde trabalho há cerca de 3 anos. O ambiente é bom e as pessoas são ótimas, mas minhas perspectivas se tornaram mais ambiciosas nos últimos tempos e não sei se aquele lugar poderia me fazer atingi-las.

Ao constatar isso, percebi que deixando o escritório, provavelmente, eu não acompanharia o desenrolar das ações que propus, acompanhei e nas quais tanto trabalhei.

Seriam histórias sem fim para mim. Elas naturalmente chegariam a uma conclusão, mas o passar do tempo e as novidades em minha vida certamente fariam com que eu sequer me interessasse pelo desfecho da maioria delas.

Achei isso triste.

(...)

Ao concluir que o título do post no qual abordaria esse tema seria “A história sem fim” imediatamente me lembrei de um dos primeiros filmes que devo ter assistido. Seu título é justamente esse.

Como faz muito tempo que vi esse filme, socorri-me da Wikipédia para lembrar com mais detalhes do que trata aquela obra.

Eis um breve resumo:

O personagem central da história é um jovem garoto chamado Bastian, que rouba um livro chamado A História Sem Fim de uma pequena livraria. Bastian é de fato o “bastião”, o guardião de um reino em perigo. Bastian, a princípio, é apenas um leitor do livro, que narra a história da terra de Fantasia, o lugar onde todas as fantasias dos humanos se unem. Com o progresso do livro, porém, torna-se claro que alguns habitantes do lugar sentem a presença de Bastian, já que ele é a chave do sucesso da jornada sobre o que ele está lendo. Na metade do livro, ele entra na própria Fantasia e toma um papel mais ativo nela.

A primeira metade da história é rica em detalhes de imagens e personagens, como num conto de fadas. Na segunda metade, porém, são introduzidos vários temas psicológicos, enquanto Bastian enfrenta a si mesmo, seu lado negro, e segue em frente à maturidade num mundo formado por seus desejos.

O tema central da história é o poder de cura da imaginação, representado pelo estado em que Fantasia se encontra até que alguém a "salve", ao reconstrui-la baseado em novas idéias, novos sonhos.

Posso estar exagerando na metáfora, mas achei a história desta obra bem parecida com a da vida de um advogado. O advogado, apesar de nao ser o guardião da justiça, está sempre protegendo interesses. Há, portanto, sempre um reino em perigo. Nesse contexto, somos muito mais que meros espectadores. Somos verdadeiros realizadores capazes de mudar a história do reino que queremos defender.

Ao tomar consciência da importância do meu papel de advogado, como vocês puderam acompanhar ao longo do blog, enfrentei diversos conflitos.

Olha que coincidência: Na segunda metade, porém, são introduzidos vários temas psicológicos, enquanto Bastian enfrenta a si mesmo, seu lado negro, e segue em frente à maturidade num mundo formado por seus desejos.

A diferença da “história sem fim” para minha história parece ser que, ao passo que naquela o tema central da história é o poder de cura da imaginação, nesta é o poder de cura da ação.

As novas idéias e novos sonhos que seriam a salvação do reino em perigo, mais que frutos da imaginação, precisam ser perseguidas, com atitudes, com ação.

E assim o fiz.

No dia 01 de julho de 2010 uma nova era começou para este advogado.

Estou oficialmente desempregado.

Outros poderiam estar desconfortáveis ou até desesperados. Eu estou tranquilo. Sei que esse momento de transição me será muito útil.

E sei também que este será um brevíssimo capítulo da minha história que está muito longe de ter seu fim.

(...)

Minha relação com cinema e seriados me fez ter uma visão interessante acerca do assunto que me entristecia. Para as histórias que - para mim - ficarão sem fim, certamente, novos protagonistas surgirão. Esse é o barato da dinâmica da vida. Novos personagens sempre surgem e conduzem as histórias que passam a tomar por suas.

3 comentários:

  1. bem vindo ao mundo dos sem-emprego...

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  2. hahaha! Que seja temporário! A saga tem que continuar! :P

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  3. "A gente quer ter voz ativa
    No nosso destino mandar
    Mas eis que chega a roda viva
    E carrega o destino pra lá
    Roda mundo, roda gigante
    Roda moinho, roda peão
    O tempo rodou num instante
    Nas voltas do seu coração"

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